Cabine de acrílico pode proteger taxistas do covid-19

Desenvolvida em parceria com uma cooperativa de táxi, a cabine é fixada no assoalho do veículo.
Desenvolvida em parceria com uma cooperativa de táxi, a cabine é fixada no assoalho do veículo.

Especialistas dizem que a proteção reduz a propagação do vírus, mas não elimina totalmente o risco de contágio

O uso obrigatório de máscaras em táxis pode até reduzir as chances, mas não elimina o risco de contágio do coronavírus. Pensando nisso, uma empresa especializada em materiais de acrílico desenvolveu uma cabine que aumenta a proteção de motoristas e passageiros.

O produto é feito com policarbonato de 3 mm de espessura e tem formato de “L”, para proteger o banco do condutor. A cabine é fixada no assoalho do veículo e possui tiras ajustáveis que vão ao encosto da cabeça e no assento. É possível colocar uma moldura de espuma em volta da placa acrílica, caso o cliente deseje.

“Desenvolvemos o projeto em conjunto com a Cooperativa Ligue Táxi e 15 motoristas já realizaram a compra, mas alguns ainda não instalaram a proteção por conta do baixo número de viagens que estão fazendo diariamente”, afirma Taísa Almeida, sócia-proprietária da Artcryl.

O custo da cabine protetora varia de acordo com o tamanho do veículo. O valor sugerido, incluindo o custo da instalação, é de R$ 398,99 para hatches e R$ 499,98 para sedãs e SUVs.

Protege mesmo?

Não é só no Brasil que taxistas buscam soluções para se proteger do coronavírus. Vários deles improvisam uma proteção com filme plástico, como mostram relatos na China e nos Estados Unidos. Especialistas afirmam que a iniciativa pode até proporcionar alguma proteção inicial, mas não elimina o risco e cria outras possibilidades de contágio. “Improvisações como essa são perigosas. Podem até contaminar mais do que prevenir”, alerta Luciano Goldani, professor titular de infectologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Alexandre Zavascki, também professor de infectologia da Faculdade de Medicina da UFRGS, faz coro ao colega. “Em teoria, essas bolhas podem funcionar e reduzir o risco. Em situações nas quais você fica em contato próximo, a menos de um metro, uma barreira física contém a emissão das gotículas com o vírus”, pondera, alertando sobre a necessidade de realizar a limpeza adequada da “bolha” plástica para evitar contaminações. “Isso vale muito para a questão do uso de equipamentos por pessoas não treinadas. Até a própria máscara, se não for adequadamente usada, vai levar a manipulações excessivas. Isso acaba contaminando a mão e posteriormente a boca, o nariz e as vias respiratórias”, acrescenta Alexandre.

Fotos e matéria: Jeniffer Oliveira