Corrida nas ruas, parada nas palavras

O primeiro livro escrito foi publicado e ganhou duas edições.
O primeiro livro escrito foi publicado e ganhou duas edições.

Taxista afirma que é possível escrever mais de 10 livros com as histórias que já ouviu

Ser escritor não é apenas escrever livros, é muito mais uma atitude perante a vida, uma exigência e uma intervenção. Essa ideia, defendida pelo escritor José Saramago, parece ser bem compreendida pelo taxista Eloir José Golemba.

Eloir José Golemba já escreveu dois livros com os relatos coletados entre corridas.
Eloir José Golemba já escreveu dois livros com os relatos coletados entre corridas.

Motorista de táxi desde 2002, Eloir conta que começou a escrever bem antes, mas considera que sua paixão pelas narrativas aumentou quando pode ter o contato com várias histórias no dia a dia de sua profissão. Desde 2005, ele começou a anotar os relatos ouvidos e os acontecimentos vivenciados dentro do táxi. “Antes eu tinha sempre um computador no carro, então aproveitava as paradas a espera de passageiros para escrever”, revela Eloir.

Em 2011, o taxista lançou seu primeiro livro. O compilado de 35 histórias, distribuídas em 159 páginas, foi batizado de “Meu táxi não fala, a se falasse”. O livro fez tanto sucesso que a tiragem de mil exemplares esgotou, chamando atenção da editor Juruá, que lançou uma segunda edição em 2013, intitula de “Se meu táxi falasse”.

Outro livro com 32 histórias, distribuídas em 216 páginas, já está pronto desde julho de 2015. Inclusive, revisado, diagramado e ilustrado. Tudo isso graças a ajuda de uma cliente, Adriana Aparecida Scrok, que também se tornou personagem do livro. Infelizmente, oito dias depois de terminar o trabalho, Adriana acabou falecendo de câncer. Hoje, Eloir alimenta o sonho de publicar o livro como forma de homenagear a cliente, que se tornou sua amiga, mostrando que toda sua ajuda o trabalho não foi em vão.

Segunda edição do livro foi apoiada pela Editora Juruá, e o lançamento foi prestigiado por amigos e autoridades.
Segunda edição do livro foi apoiada pela Editora Juruá, e o lançamento foi prestigiado por amigos e autoridades.

“O táxi é minha vida. O que mais gosto é o convívio com as pessoas. A Adriana, por exemplo, foi minha cliente durante 10 anos. Ela sempre pegava o táxi para ir trabalhar porque a empresa dela tinha convênio. E não é só fazer uma corrida, é ouvir, as vezes dar um conselho. Todo cliente acaba se tornando parte da família”, descreve Eloir, afirmando que nessa rotina, a cada dia que se passa, novas histórias vão surgindo e cativando a sua atenção. “Trabalho todos os dias, das 9h às 21h. As vezes faço umas 20 corridas, então, é muita coisa nova sempre”, acrescenta, revelando que tem mais 70 histórias prontas. “Isso porque parei um pouquinho de escrever, com tudo que já ouvi no táxi dá para escrever fácil mais de dez livros”, pontua.

Por: Jeniffer Oliveira