Grupo de taxistas espanhóis transporta mais de cem refugiados da Ucrânia

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Foto: Cesar Manso/ STR

“É um pesadelo”. É assim que a programadora Olga, de 38 anos, define a guerra na Ucrânia, enquanto, ao lado dos filhos, cruza a Europa pela estrada e tenta fugir do conflito. Com a ajuda de um grupo de 28 motoristas de táxi espanhóis que foram para a Polônia apoiar a evacuação em massa de refugiados, cerca de 140 pessoas conseguiram voltar à Espanha nesta segunda-feira.

No entanto, como muitas das quase três milhões de pessoas que cruzaram as fronteiras da Ucrânia em busca de refúgio desde que a invasão russa começou, no dia 24 de fevereiro, Olga é assombrada pelo que viu. Ela precisou se despedir do marido, irmão e pai, que ficaram para trás para lutar.

— É um desastre humanitário. São muitas pessoas mortas, e isso não tem fim, não sabemos por quanto tempo vai continuar — disse Olga em Nadarzyn, perto do Capital polonesa Varsóvia.

De acordo com ela, esta é a segunda vez que, ao lado da família, precisou abandonar repentinamente o seu lar. Em 2014, eles escaparam das forças separatistas pró-Rússia que avançavam para a região leste de Donbass.

— Meu coração tinha acabado de se acalmar (depois de deixar Donbass). Então, novamente acordei de manhã com explosões, e de novo temos que deixar nossa pátria — disse ela, enxugando as lágrimas antes de embarcar em sua jornada.

Naquela época, Olga, que não quis divulgar o sobrenome por preocupação com a segurança de seus parentes do sexo masculino, deixou para trás o negócio que construiu como programadora de computadores na cidade de Luhansk. Em Kiev, nasceu sua filha mais nova, de 6 meses, e seu filho de 11 anos, Slavik, frequentou a escola.

Cidadãos de toda a Europa Ocidental viajaram de carro ou minivan para as fronteiras europeias da Ucrânia para ajudar os refugiados a encontrar novos lares. Cerca de 2,95 milhões de ucranianos fugiram da terra natal desde o início do conflito, incluindo 1,8 milhão na Polônia, segundo a agência de refugiados da ONU. Desses, cerca de 300 mil foram para a Europa Ocidental.

‘Meu coração está partido’

Em Nadarzyn, um taxista brincava com a bebê Vera, filha de Olga, enquanto outro carregava uma garotinha com uma mochila colorida nos ombros, cumprimentando-a com brinquedos e doces trazidos da Espanha.

O comboio de táxis, com dois motoristas em cada veículo, deixou a capital espanhola Madrid na sexta-feira. Com mais de 3.300 km, a viagem de ida e volta durou 40 horas e foi organizada em menos de uma semana pelos próprios motoristas. Eles estimaram o custo em 50 mil euros, que, segundo eles, foi financiado por eles mesmos e por doações adicionais.

— No começo eu estava organizando a viagem só para mim, mas fiquei sabendo que outros colegas também queriam ajudar e tirar as pessoas daquele inferno — disse o motorista Javier Hernandez, que disse ter perdido um amigo ucraniano nos combates há alguns dias.

Pablo Ucero, um motorista de 58 anos, ficou emocionado ao falar sobre o assunto.

— Meu coração está partido por eles. Ninguém deveria ter que passar por algo assim.

A iniciativa deles é apenas uma das muitas que estão surgindo na Espanha e na Europa com o objetivo de ajudar os refugiados. Mayte Pérez, 51, seu marido e quatro vizinhos voltaram da Polônia para a Espanha na sexta-feira com sete refugiados.

Quatro deles — uma mãe, seus dois filhos e uma menina que veio sozinha — vão morar em um apartamento cedido por um vizinho em San Clodio, no norte da Espanha. Pérez disse que não perguntou a seus passageiros sobre o que aconteceu antes de se encontrarem na Polônia.

— Tenho medo de machucá-los — disse ela por telefone a caminho de volta à Espanha.

Os taxistas esperavam retornar na manhã desta quarta-feira a Madri, onde os refugiados seriam examinados por médicos e autoridades espanholas antes de serem postos em acomodações temporárias.

— Alguns de nossos motoristas já estão falando em fazer a rota novamente. Salvamos 140 vidas e você não pode colocar um preço nisso — disse José Miguel Funez, porta-voz da Federação de Táxis Profissionais de Madri.

Na Espanha, os ucranianos devem receber ordens de proteção temporária da União Europeia que lhes permitam obter rapidamente autorizações de residência e trabalho.

O Ministério da Inclusão da Espanha disse que em meados da semana passada, mil ucranianos haviam entrado na rede de recepção estatal, embora muito mais estivessem entrando com a ajuda de familiares e amigos. As autoridades enfatizaram a necessidade de planear, coordenar e formalizar a chegada de refugiados em Espanha para garantir a sua segurança, sobretudo no caso das crianças.

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