Isolamento social reduz demanda por táxis

Quem decide continuar trabalhando, espera várias horas para conseguir uma corrida.

Muitos taxistas estão ficando em casa por falta de passageiros

Taxistas ficaram quase sem corridas desde o início da pandemia, prejudicando a renda de todo a categoria. Alguns não saem de casa por estar no grupo de risco, mas muitos não estão indo às ruas por falta de movimento. Quem decide continuar correndo atrás do seu ganha pão enfrenta horas a espera de passageiros.

Na rodoviária, local que sempre foi um forte do setor, o tempo passa, mas a fila não anda. “Antes nós parávamos aqui em torno de uma ou duas horas para fazer uma corrida. Hoje já são cinco, seis ou até sete horas de espera”, lamenta Pedro Camargo Junior.

Normalmente, a fila de táxis a espera de passageiros dava volta na rodoviária. Eram em média 250 taxistas por dia. Atualmente, nem chegam a 20. Ainda assim, José Aparecido da Silva, na fila desde ás 5h, conseguiu fazer sua primeira corrida do dia às 15h.

Associação de taxistas está realizando apenas um quarto do número de corridas que fazia em média.
Associação de taxistas está realizando apenas um quarto do número de corridas que fazia em média.

Com a queda no movimento e a orientação para que idosos fiquem em casa, taxistas apontam que a crise atual é histórica. Ibiraci Andretta, de 66 anos, está há 45 na praça e já vivenciou crises econômicas, mudanças na regulamentação da profissão, aumento da violência e até a chegada dos motoristas de aplicativos, mas diz que o impacto nunca foi tão grande quanto agora.

“Sem dúvida é o pior momento na história dos taxistas. Lembro que na década de 80, toda segunda-feira alterava a bandeira e foi um caos. Ficava o dia parado e fazia poucas corridas. Hoje, além de não sair de casa para não ficar doente, realmente não tem passageiro com tudo fechado na cidade”, afirma o experiente taxista.

No caso do Luís de Lima, o aperto é em dose dupla. Ele está sem passageiro e a esposa sem emprego. “A situação está bem crítica. Não temos serviço, mas temos um monte de despesa para pagar”, desabafa o taxista. “Nós dois estamos totalmente sem renda, ele e eu há semanas parados, sem ganhar nada”, complementa a esposa, Solange Aparecida de Lima.

Alguns taxistas fazem parte do grupo de risco e estão fazendo a quarentena para se previnir. Outros motoristas preferem não ir trabalhar porque sabem que não vale a pena. “Não está compensando ir para a rua, as corridas realizadas não dão para fazer nem o valor gasto no combustível”, afirma o taxista Valdecir, que está em casa faz mais de um mês.

Com menos gente circulando, quem trabalha no centro da cidade também está no sufoco. Uma associação com 320 táxis fazia em média duas mil corridas por dia, agora faz apenas um quarto disto, ou seja, cerca de 500 corridas. Sem renda, um de cada três motoristas não paga a mensalidade. “A gente vai levando, mas não tem capital de giro nenhum caso a situação não melhore em breve”, afirma o presidente da associação, Anderson de Souza Barros.

Para amenizar um pouco os prejuízos as associações de taxistas estão pedindo a suspensão da taxa de outorga, que a prefeitura cobra para realizar o serviço em quatro parcelas anuais de R$ 335,00. A Prefeitura de Curitiba informou que suspendeu a cobrança da renovação das licenças dos táxis e que os taxistas com parcelas em aberto vão poder fazer o pagamento depois que a pandemia passar.

Crédito da matéria: Jeniffer Oliveira – Fotos: Divulgação

Edição Impressa

Videos