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Sindicato de Porto Alegre estima recuperação de pelo menos 10% na demanda de passageiros
Sindicato de Porto Alegre estima recuperação de pelo menos 10% na demanda de passageiros

Quantidade de motoristas diminui, exigências aumentam e o serviço de táxi se reinventa

Além da permissão para usar as faixas exclusivas para ônibus e lotações, um conjunto de medidas está ajudando a revigorar o serviço de táxi de Porto Alegre. Normas mais rígidas, impostas pela lei de junho de 2018, fizeram o número de motoristas cadastrados despencar 37% na capital do Rio Grande do Sul, o que é visto como uma seleção positiva pela própria categoria, que levou a melhorias como a aceitação de pagamentos com cartões. Outras medidas vêm sendo adotadas de forma espontânea para aumentar a competitividade, como a adesão de um app específico para taxistas.

Como resultado, os condutores começam a sentir sinais de recuperação no movimento. “Podemos dizer que a situação do táxi está ‘despiorando’. Houve uma depuração da categoria e estamos um pouco mais otimistas. Recuperamos cerca de 10% da demanda”, analisa o presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari.

Outra razão para a reinvenção do táxi na cidade é a maior proporção de proprietários das licenças que passaram a dirigir o próprio carro ou permanecem mais tempo do que antes atrás do volante. Isso tem estimulado a preocupação com a boa conservação do veículo e o atendimento aos clientes.

Dados da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) mostram que a média de reclamações contra taxistas caiu 23% nos primeiros oito meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018. Já os relatos de imprudência recuaram 18%.

Entre os motivos para os donos dos prefixos dirigirem mais está a dificuldade para encontrar condutores auxiliares. A exigência de um exame toxicológico anual, imposta pela nova legislação, também estimulou a queda no número de profissionais registrados, passando de 10 mil em novembro de 2017 para 6.305 agora — 37% a menos. Como o número de prefixos registrados variou bem menos (de 4 mil para 3,8 mil), isso significa que coube aos próprios donos dos veículos assumir a direção.

Outras mudanças previstas pela nova lei dos táxis, além da mudança para a cor branca e da redução da vida útil máxima dos veículos de dez para oito anos, envolvem avanços tecnológicos ainda em vias de serem implantados. Entre eles, o monitoramento via GPS e a identificação do motorista por biometria — o que impedirá que alguém não cadastrado assuma o volante. O Sindicato, porém, é contra essa medida por representar um custo de aproximadamente R$ 3 mil e se sobrepor a formas já existentes de identificação, como o chamado “carteirão” com foto.

Por: Jeniffer Oliveira