O táxi resiste e mostra força para competir pela preferência do público

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Aeroporto de Congonhas, em São Paulo: a procura pelos velhos conhecidos cresceu durante a pandemia.
Aeroporto de Congonhas, em São Paulo: a procura pelos velhos conhecidos cresceu durante a pandemia.

O tradicional meio de transporte foi dado como morto com a chegada dos aplicativos, mas hoje tem procura crescente no país

Quando os aplicativos de transporte desembarcaram no Brasil, há quase oito anos, o futuro do táxi como modelo de mobilidade foi dado como incerto, para dizer o mínimo. Poucos acreditavam que um sistema arcaico, em que era preciso caçar carros disponíveis na rua, seria páreo para a novidade, movida a aplicativos fáceis de usar, balinhas e garrafas de água de cortesia e, o mais importante, um preço muito abaixo do que os passageiros estavam acostumados a pagar.  Um estudo divulgado pelo Departamento de Estudos Econômicos (DEE) do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2018 mostrava que as corridas de táxi caíram 56,8% entre 2014 e 2016 em virtude da concorrência. A sobrevivência parecia pouco plausível.

Mas agora, alguns anos e uma pandemia mais tarde, a situação é bastante diferente e o que se vê é a procura crescente pelos táxis. De acordo com um levantamento feito pelo aplicativo Vá de Táxi, a base de motoristas parceiros subiu 10% em 2021 em comparação com 2020 — são atualmente cerca de 140 000 taxistas. O volume de corridas cresceu 37% e a plataforma viu o número de novos usuários subir 64%, para superar a marca de 1 milhão de pessoas cadastradas. Outros levantamentos semelhantes reforçam a tendência.  O Sindicato dos Taxistas Autônomos do Município do Rio de Janeiro (Stamrj) relata um aumento de 60% no movimento diário. “Os números retratam como a pandemia foi positiva para a categoria”, afirma Glória Miranda, CEO da Vá de Táxi.  “Os taxistas estão saindo da crise muito fortalecidos.”

O retorno ao serviço tradicional oferecido pelos taxistas é motivado por diversos fatores. O aumento do preço dos combustíveis é o principal.   Em 2021, a gasolina subiu 46%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), e o etanol, 59%. O preço dos veículos, sejam novos ou usados, também disparou. É comum motoristas de aplicativo alugarem o carro que usam como ferramenta de trabalho.  Com o aumento explosivo dos valores das diárias, as corridas se tornaram menos lucrativas. Na lógica que baliza o mercado, o aumento de custos foi repassado para os passageiros. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), o preço das corridas por app subiu 26% em 2021 diante de 2020. Além da disparada dos valores, o sumiço de carros também incomodou usuários.

Na crise, a maior parte dos motoristas passou a selecionar apenas as viagens que realmente valiam a pena, deixando passageiros a ver navios. Nos últimos meses, cresceram os relatos de usuários que esperaram mais de trinta minutos pelo carro, e não foram poucos os que simplesmente não encontram um único veículo disponível. Preços mais altos praticados pelos aplicativos, longas esperas e o sumiço dos carros formaram o contexto ideal para que os táxis se tornassem novamente competitivos.  Ressalte-se que a desafiadora conjuntura afetou menos os taxistas. Eles têm descontos na compra de veículos e usam gás natural como combustível, que ainda é a opção com melhor custo-benefício do mercado. A tarifa para o consumidor final também sofreu pouco reajuste, ao contrário do que aconteceu com os serviços oferecidos pelos apps.

A disputa, porém, está longe de terminar. Empresas globais como a Uber têm poder de sobra para determinar os caminhos que o mercado deverá seguir e certamente estão prontas para contra-atacar.  Na verdade, tudo indica que há espaço para todo mundo, na medida em que ter o próprio veículo não é mais o principal sonho de consumo das novas gerações.  “O usuário só quer chegar ao seu destino com rapidez e segurança”, diz Glória Miranda. Tanto faz se for no banco de trás de um táxi ou de um carro de aplicativo.

 

Crédito da foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/

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