Pato ou águia?

Metáfora sobre patos e águias traz uma reflexão importante para o atual momento. Crédito da foto: Jeniffer Oliveira
Metáfora sobre patos e águias traz uma reflexão importante para o atual momento. Crédito da foto: Jeniffer Oliveira

Especialista afirma que taxistas devem prestar atenção em qual perfil se encaixam

Francisco Ometto, especialista em gestão de negócios, publicou recentemente um artigo comparando taxistas a patos e águias. O texto apresenta uma análise sobre a postura adotada por profissionais diante das mudanças no mercado. Francisco tece comentários baseados em uma experiência vivenciada por ele em Viena.

“Chegando ao aeroporto, um taxista veio até mim. A primeira coisa que percebi foi um carro muito limpo. O motorista, muito bem-vestido, saiu do veículo, abriu a porta e falou: ‘Eu sou Lan, seu condutor até seu próximo destino. Enquanto coloco suas malas no bagageiro, gostaria que lesse neste cartão qual é a minha missão’. No cartão estava escrito: ‘Missão de Lan: levar meus clientes ao destino de forma rápida, segura e econômica, num ambiente amigável’”, relata Francisco, afirmando que ficou impressionado.

Quando ele já estava dentro do táxi, Lan perguntou se Francisco aceitava um café, mas ele respondeu que preferia suco. Lan disse que não tinha problema, pois o táxi possuía uma térmica com suco normal, outra com suco diet e mais uma com água. “Se eu quisesse algo para ler, ele tinha o jornal do dia e algumas revistas. Também ofereceu a senha do Wi-fi e, durante o trajeto, ele foi me dizendo: ‘Essas são as estações de rádio que tenho, mas se preferir pode escolher uma playlist de músicas’. Lan ainda me perguntou se a temperatura do ar-condicionado estava como eu queria, se eu gostaria de conversar ou preferia o silêncio”, descreve o especialista.

Não me segurei mais e perguntei: “Você sempre atende seus clientes assim? ‘Não’, ele respondeu. ‘Não era assim. Em meus primeiros anos como taxista passei a maior parte do tempo reclamando igual aos demais taxistas, então decidi mudar minhas atitudes e fazer diferente. Olhei para outros motoristas: táxis sujos, pouco amigáveis e clientes insatisfeitos. Tomei a decisão de fazer umas mudanças. Quando meus clientes responderam bem, fiz outras mudanças. No meu primeiro ano dupliquei meu faturamento. Este ano já quadrupliquei. Você teve sorte de pegar meu táxi hoje. Já não fico mais na parada de táxis. Meus clientes fazem reserva pelo meu celular ou no meu site e, se não posso atender, indico um amigo taxista para fazer o serviço”.

Francisco Ometto explica que é preciso deixar de ser pato e voar como águia para fugir da crise. - Crédito da foto: Jeniffer Oliveira
Francisco Ometto explica que é preciso deixar de ser pato e voar como águia para fugir da crise. – Crédito da foto: Jeniffer Oliveira

Francisco acredita que esta história traz ensinamentos poderosos, totalmente pertinentes ao momento que estamos passando, mas não só para ele e sim para toda a vida. “Em meus cursos, atendimentos, consultorias ou palestras, sempre falo sobre patos e águias. Patos, nesta metáfora, são negativos, só fazem barulho e se queixam. Patos adoram a zona de conforto, a terceirização das responsabilidades, o pessimismo, a alienação de aceitar tudo o que falam ou fazem, sem filtro crítico. Águias se colocam numa posição mais elevada. Lan estabeleceu uma meta, criou entusiasmo e tomou a atitude de deixar de ser um reclamão reativo para voar sobre o grupo. Ele deixou de ser pato para ser águia!”, explica o especialista.

E nós, somos patos ou águias em nossa vida pessoal ou profissional? Reclamamos ou fazemos o que realmente precisa ser feito? Pessoas de sucesso voam como águias e não escolhem a passividade. Águias sabem gerenciar o tempo, dizer não e procurar ajuda, são sábias, vão além do básico.

Segundo Francisco, um dos principais interlocutores do bloqueio é o apego. “Você pode estar apegado à forma como as coisas são, não importando o quão destrutivas elas já se tornaram. A reflexão e o olhar diferente sobre essas coisas estão em falta. Podemos escolher achar que não vai dar certo e desistir, mas também podemos escolher fazer algo para resolver isso de uma forma diferente do que fizemos até aqui”, explica ele.

Não se prenda na sua própria versão da realidade. Por que continuar vendo o mundo na mesma perspectiva? Do que você realmente precisa? Freud uma vez disse: “Qual sua responsabilidade na desordem que você tanto reclama?” Pense sobre isso! O bloqueio é apenas um obstáculo que fica no meio do caminho do seu verdadeiro eu. Saia da zona de conforto. Abandone algumas formas apegadas e parciais de ver as coisas. Faça dos seus problemas oportunidades para desistir de ilusões e conformismos sobre si mesmo e sobre a vida.