Taxista mais antigo em atividade no Rio relembra histórias dos 52 anos de profissão: ‘Ainda tenho muito gás’

Jorge Mauro Garcia Nogueira, taxista mais antigo em atividade no Rio
Jorge Mauro Garcia Nogueira, taxista mais antigo em atividade no Rio

Jorge Mauro Garcia Nogueira fala dos tempos em que não conhecia nenhuma rua na cidade, do dia em que conheceu Vinícius de Moraes e do orgulho de ter formado a filha com o dinheiro que conseguiu trabalhando como motorista

Jorge Mauro Garcia Nogueira, com 52 anos de profissão, todos os dias ele vem de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde mora, em direção ao Flamengo.
Jorge Mauro Garcia Nogueira, com 52 anos de profissão, todos os dias ele vem de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde mora, em direção ao Flamengo.

Jorge Mauro Garcia Nogueira é o taxista mais antigo entre os 48.797 em atividade na cidade do Rio de Janeiro.

Com 52 anos de profissão, todos os dias ele vem de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde mora, em direção ao Flamengo.

É no bairro da Zona Sul do Rio onde ele deixa o táxi e onde inicia a jornada de trabalho. Antes de encarar o asfalto, todos os dias Jorge limpa o veículo.

“Carro limpinho é outra coisa, não é? Passageiro é exigente”.

Ele tem orgulho do que construiu ao longo da carreira.

“Foi por meio desta profissão que eu consegui formar minha menina. São muitos anos na luta, mas isso faz parte da vida. E não estou cansado, ainda tenho muito gás”.

Jorge é de um tempo bem anterior à existência de aplicativos que mostravam o caminho para o motorista.

“No começo, eu não conhecia nada. Tinha que perguntar aos passageiros como chegar aos locais. Até para voltar para casa era difícil”.

Mesmo toda a experiência acumulada ao longo dos anos não o livrou dos perigos da profissão. Durante um assalto em 1975, Jorge foi baleado nas costas. Quinze dias depois, já estava trabalhando — e ganhou um presente.

“Eu trabalhava em empresa de táxi. O dono, muito meu amigo, um dia me chamou e disse que não iria mais trabalhar com ele. Achei estranho e perguntei o motivo. Foi quando ele me deu um carro de presente”.

O tempo de profissão também deu a Jorge Mauro a oportunidade de estar com alguns dos principais nomes da cultura brasileira.

Um dia, ele passava pela Avenida Vieira Souto, em Ipanema, quando um porteiro sinalizou para que ele parasse.

“O porteiro me disse que eu iria levar um passageiro ilustre. Logo em seguida, o Vinícius de Moraes entrou no meu carro. Nunca mais esqueci”.

Crédito da matéria: G1 Rio de Janeiro