Taxistas temem perder carros por não conseguirem renegociar financiamentos com Banco do Brasil

Sem renda, taxistas não conseguem pagar financiamentos dos carros - Crédito da foto: Guilherme Pinto
Sem renda, taxistas não conseguem pagar financiamentos dos carros - Crédito da foto: Guilherme Pinto

Sem trabalhar há 60 dias por conta da pandemia do coronavírus, o taxista Roberto Damasceno, de 55 anos, teme perder o seu veículo por não conseguir negociar as parcelas do financiamento com o Banco do Brasil. A linha de crédito que possui é o FAT Taxista, que financia carros com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com taxas de 4% ao ano + TJLP e prazo de pagamento de até 60 meses. Por ser exclusiva da instituição, não há como fazer a portabilidade.

— Com a determinação de isolamento social e poucas pessoas nas ruas, eu praticamente estava pagando para trabalhar. Em um dia, gastei R$ 120 de combustível e ganhei só R$ 40. Não valia a pena — explica: — com isso, já tenho duas parcelas de R$ 700 em aberto. Meu financiamento foi feito em 2016 e falta apenas um ano para quitar. Não posso perder o meu carro tão perto…

O taxista Alexandro Figueiredo Silva, de 44 anos, que mora com a mãe idosa de 78 anos, também está sem trabalhar nesse período. Ele conta que conseguiu renegociar a fatura do cartão de crédito com outra instituição bancária, mas não teve sucesso ao tentar conversar com o Banco do Brasil sobre o financiamento que fez em 2019, cujas parcelas são de aproximadamente R$ 1200 por mês:

— Entrei em contato com o banco e disseram que não havia ainda nenhuma posição sobre o FAT. Então, juntei as economias e paguei a prestação de março. Aguardei o mês seguinte, mas não ouvi novidades — desabafa: — Meu medo é tomarem meu carro. Quero pagar, mas estou sem renda!

Uma resposta semelhante obteve o também taxista Thiago Paixão, de 37 anos, ao tentar uma renegociação. Por ter imunidade baixa devido a um câncer linfático, o motorista está respeitando a quarentena e, sem renda, já acumula dívida superior a R$ 1.600.

— Conversei com gerente da conta e ela me informou que o BB não tem autonomia pra negociar créditos da modalidade FAT e que o juro já está abaixo do mercado — contou.

Para não perder o veículo, Felipe Cruz, de 47 anos, optou por não honrar outras despesas fixas, por exemplo, o pagamento do condomínio. No entanto, sem saber com irá conseguir pagar a próxima parcela, reclama da falta de diálogo do banco:

— Há dois anos, fiz um financiamento em 58 parcelas e pago hoje em torno de R$ 900 por mês. Fui à minha agência física, mas não havia ainda nada previsto em relação ao FAT. Se eu pudesse congelar o pagamento por dois meses já ajudava!

Em nota, o Banco do Brasil informou que “em linha com a resolução do Conselho Deliberativo Do Fundo de Amparo ao Trabalhador, disponibilizará solução permitindo a repactuação dos contratos”, concluindo que o processo está em fase final de ajustes e que será disponibilizado aos clientes em breve.